segunda-feira, 25 de junho de 2012

a verdade dos olhos meus


há sempre mais de uma verdade
ou mais de uma mentira
uma palavra que muda uma vida
ou uma palavra que a destrói uma alma

há sempre mais de um caminho
ou a opção de não querer enxergá-los
um que nos leva ao bem
ou outro infeliz e as vezes infinito

há sempre a chance de tentar mais de uma vez
e a oportunidade de voltar atrás
a opção de pedir perdão
ou viver na sombra do próprio orgulho

há sempre mais de um sonho
e a chance de realizá-los
ou esquecê-los

há sempre a oportunidade de aprendizado
e de querer ser feliz
ou a escolha de ser cego
e injusto consigo mesmo

há sempre a opção de crer e ter fé
e sermos fortes e imbatíveis
ou a autopiedade 
que destrói e humilha

há sempre a oportunidade de conviver com as diferenças
e aceitá-las
falar a verdade com os olhos
ou enganar outros olhos com a mentira
e insensatez

há sempre uma escolha
que nos engrandece
ou empobrece o espírito
e esta escolha... é sua!

segunda-feira, 11 de junho de 2012

cala-me


cala-me profundamente
a dor de perder
falhar
errar

cala-me definitivamente
como se o coração parasse
a respiração cessasse
o cobertor não aquecesse

cale-me bravamente
os sonhos
os planos
o ego

cala-me gradativamente
a ousadia
o sorriso
a verdade
o desejo
a alma

cala-me insuportavelmente
não poder
não mais querer
desistir

cala-me dolorosamente
não mais acreditar em mim
no que sinto
no que amo

cala-me silenciosamente

quarta-feira, 30 de maio de 2012

a isca e o anzol



quando te conheci, sabia que era diferente
fazia coisas que a maioria julgaria estranha
algo dizia que você era vida
e que por trás daquele garoto existiria um grande homem

fiquei curiosa
ansiosa
surpresa
e quando menos esperei
você veio
não sei quanto tempo vai ficar
ou se vai ficar
não sei nada de você
nem sei mesmo se você existe
não sei se és mau ou bom

mas sei que você veio para bagunçar minha vida
ou arrumá-la
e eu me sinto tomada por você
atraída como uma isca pelo anzol
indo em direção à morte
não sei se a morte dos meus sonhos
a morte da minha ilusão
a morte das minhas esperança
ou a morte da minha solidão

mas eu sempre soube que você era vida!

domingo, 27 de maio de 2012

Um fim

um fim
sempre parece o fim

as lágrimas parecem ser as últimas
a dor é insuportável
o tempo pára
o mundo acaba
falta o ar

quando existe um fim
tudo fica cinza
a alegria é incompleta
o orgulho toma o lugar do amor
e o egoísmo cega a fé de uma vida inteira

um fim
finda um sonho... ou vários
destrói objetivos
elimina expectativas
acaba com as ilusões
apaga o fogo

com um fim
perde-se o tato
o cheiro
o gosto

e a única força que resta
permite acreditar
que um fim
não é o fim
é apenas a chance de um novo começo

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Saindo de mim


luto e reluto
peço calma
clamo por paz
entro em conflito
protejo-me
quero não querer
quero sentir
temo não ter
insisto
procuro-me
aceito
aprendo
limito-me
modifico-me
escondo a dor
exponho-me
cativo... e erro
ignoro... e me desespero
esgoto-me
confio na intuição
explico
justifico
abandono-me
enlouqueço-me
sofro
lamento
e sinto-me
saindo de mim

terça-feira, 15 de maio de 2012

erros... errados


palavras mal ditas
escolhas incorretas
sonhos não realizados
desejos não satisfeitos
objetivos descumpridos

o momento errado
a lágrima que substitui o sorriso
a dor que substitui a paz
os espaços vazios
pensamentos
tormentos
agonia

passo mal dado
o caminho errado
a lição desaprendida
e esperança perdida

na dor, expressão
no erro, oportunidade
no amor, descontrole
na vida, extravios
no tempo, a esperança
na fé, a cura

segunda-feira, 14 de maio de 2012

provocativo


me desafia e alimenta de conhecimento
me enfurece e enriquece de resignações
me provoca e me enche de perguntas

torna meus dias menos comuns
meus sonhos mais reais
minha vida mais intensa

se não existisse você
seria como se não tivesse passado por essa vida
como se tivesse errado em todas as minhas escolhas
como se não tivesse passado cada dia
esperando pela sua chegada

não suporto a paz de não ter você
não imagino que a vida seja normal
desejo reinvenção
preciso das suas provocações

não me acostumei a ter você
e enquanto isso não me vejo sem você
me mata e me reencarna
a cada encontro, a cada toque
e em cada palavra

me lê
me sente
me fascina
me transforma
enquanto inconscientemente deixa seu casulo

terça-feira, 8 de maio de 2012

incógnito



inútil esconder as emoções
inibir os sorrisos de felicidade
negar os sentimentos
essa não é minha verdade

ideal é me reinventar
ter fé no meu Deus
e acreditar que o que fala os seus olhos
é facilmente ouvido pelos meus

encantador é o poder do tempo
que me inebria de saudade e prazer
e me inunda de vontade
quando simplesmente penso em você

e ainda que pareça paixão
a ansiedade de viver
faz de mim mais intensa
e traz pra mim a sensação de poder

entre meus olhares misteriosos
misturam-se paz e agitação
e os meus gritos silenciosos
são como se eu vivesse em constante combustão

não farei dessa história
constante hesitação
viverei o romance
e as dores e amores que dele virão

as páginas são redigidas dia a dia, cheias de surpresas e incertezas
mas não me cabe ler o fim
porque este ainda está dentro de você
e de mim...

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Aspiração


às vezes é preciso parar
segurar o coração
controlar a ansiedade
diminuir o pique

às vezes é preciso ouvir
prestar atenção nos gestos
reparar os detalhes
perceber as mensagens subliminares

às vezes é preciso calar
silenciar a alma
emudecer o coração
sossegar o espírito

às vezes é preciso esperar
não agir
não desesperar
respeitar o tempo

às vezes é preciso acreditar
respeitar as diferenças
valorizar a autoestima
e crer no amor

às vezes é preciso doar
palavras, 
afeto, 
força... fé!

às vezes é preciso acertar
saber a hora de avançar
e a hora de parar
e aceitar caso a escolha seja a errada...

sábado, 28 de abril de 2012

Não me deixe ir...


o coração acelerado
os olhos brilhantes
os sorrisos mais frequentes
os dias sozinha são mais longos
o tempo quando se está perto passa mais rápido

vivo a ansiedade do próximo encontro
enquanto me esforço para não fazer de você meu único assunto
e me policio para não errar o nome das pessoas
e sorrio do meu próprio sorriso bobo

tento pensar menos nos momentos que passamos juntos
e me controlo para não correr o risco de te esquecer
falo às paredes e me critico por falar demais
e por ser sincera demais

vejo-me incoerente
impaciente
irreverente
inconsciente

renascida
reinventada
renovada
recriada

o sentimento chegou
mas não sei o seu nome
ou a sua tradução
não sei de onde veio
ou pra onde vai 


mas agora desejo apenas
que você não me deixe ir...

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Saudade


desfazem-se teus traços
apaga-se teu brilho
faz-me incolor os teus lábios
inodoro o teu suor
insípido teus beijos
intáctil teus carinhos
acordam os meus sonhos
desalinham meus planos
dormem os meus desejos
fecham meus olhos
silencia minha voz
esvazia meu coração
finda meu tempo
distanciam-se as nossas vidas
intimidam-se os nossos sentimentos
vai-se o nosso amor
vem a saudade

e eu te espero
enquanto não desisto de você

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Pânico


a inspiração sumiu
abandonou-me
inquietou-me
o destino eliminou-me
tirou de mim 
a dor do amor, que me inspira
e me encheu da dor do medo, 
a que emudeceu minha inspiração
hoje, fecho os olhos 
e você não vem
ouço a voz que não é sua
vejo o olhar que não é o seu
sinto medo, mas não é de não ter você
choro, mas não é de saudade
arrepio, mas não é por lembrar do seu toque
hoje, estou com medo do escuro
e escrevo...
mas não pra levar uma mensagem à você
é como se isso me fizesse jogar fora
o pânico que tomou conta do meu ser

talvez, seus braços fossem suficiente
mas como não os tenho
escrevo, choro e rezo

segunda-feira, 26 de março de 2012

Delícia

me tirou o juízo
me encantou
fascinou
excitou
desarmou-me
envolveu-me

saí de mim
voltei
te encontrei
me perdi

perdi a linha
os limites
o controle
entreguei-me
desejei-te
acariciei-te

provei teu gosto distante
dei-te o meu
sentimo-nos

erotizamos
maximizamos os sentidos
chegamos ao fim do fogo
e iniciamos a nossa história

agora, deita e dorme!

domingo, 25 de março de 2012

Vem

penso
sinto
quero
não tenho
suspiro 
peco
desejo
não toco
cheiro
creio
luto
não desisto
longe
intenso
extenso
não permite
arrepio
realizo
findo

sexta-feira, 23 de março de 2012

Devaneios


atração
eu
você
um agarrado ao outro
você louco
um desejando ao outro
eu confusa
um envolvendo o outro
nós perdidos
passam-se os dias
e fica impossível falar de mim
sem ver você
fica tenso pensar em mim
sem sentir você
fica triste me ver
sem ter você
necessidade de presença
da sua ousadia
de adorar suas palavras
e seu desespero de falar
e eu cada vez mais atraída
pela sua distância
pela sua loucura
pelos seus devaneios
e mesmo que o risco da dor seja eminente
aqui estou eu
andando em sua direção
mirando o seu olhar
desejando tê-lo
atraída
enlouquecida